Pular para o conteúdo principal

Maluco beleza | Acrylic Paint

Saudações visitantes!

Como devem saber, nos últimos meses tenho estudado tinta acrílica ostensivamente e na postagem de hoje, vou mostrar como andam esses estudos.

E como sempre estou me desafiando a fazer algo fora da minha zona de segurança, além do estudo de tinta acrílica em si, dessa vez resolvi testar uma técnica muito interessante, que vi o pintor Cesár Córdova explorar em seu canal.

É um técnica clássica que consiste em pintar primeiro o volume do motivo retratado na pintura, para depois aplicar os matizes diluídos até quase ficarem transparentes. No vídeo, Córdova usa tinta óleo nesse processo, mas como óleo e acrílica compartilham algumas características, no fim o estudo deu certo.

Usei como referência para esse trabalho uma foto de nada mais, nada menos que o grande Raul Seixas. E para dificultar mais ainda, peguei uma foto em preto e branco. Ou seja, depois de construir o volume, precisei procurar referências do tom de pele dele para tentar entender como construir isso depois. Foi bem trabalhoso, mas gratificante.

Outro estudo que fiz com essa pintura, foi o de "cópia ou ampliação quadriculada", que vocês podem conferir no vídeo a seguir. 

Eu sempre desenho olhando a referência, mas na maioria das vezes, não consigo manter as proporções. Por isso resolvi testar essa técnica, assim posso fazer pinturas mais próximas das reais.

Bom, vamos à pintura.

O trabalho foi desenvolvido em uma folha de papel Canson Layout 180 g - A4. E para aumentar a resistência dele, usei tinta acrílica de parede e funcionou perfeitamente. Além de conferir ao papel, uma textura de lixa muito interessante que pode ser aproveitada para pastel seco. Use àqueles rolinhos de espuma, a textura é incrível.

O volume foi construído com as cores: preto, sombra queimada, terra de siena, ocre e branco. A primeira parte do estudo consiste em marcar os valores mais altos e mais baixos da pintura, para depois construir a transição de tons entre eles.

Na fase seguinte, aplica-se os tons que compõem a matiz da pele, mas quase transparentes. Dessa forma esses tons se mesclam com as sombras e criam todas as variações necessárias. Nesse caso, usei as cores: terra de siena, vermelho, ocre, amarelo limão e sombra queimada. 

Na finalização, precisei corrigir uma coisa ou outra com alguns tons mais claros, como: branco, areia e até um pouco de magenta, para criar a sensação de pele quente, viva. E acredito que para um estudo, o primeiro sobre essa técnica, acho que esta bom demais.

Emfim, foi trabalhoso mas foi gratificante. A cada novo estudo, percebo quão poderosa é a tinta acrílica. As possibilidades de efeitos e combinações são ilimitadas, e o melhor de tudo é que as tintas são acessíveis (financeiramente falando), além de renderem muito. Estou devendo um post sobre as tintas em si. Quando comecei a pintar, tinhas alguns tubos PEBEOs, um tubo de Acrilex branca, além de um Corfix. Quando testei as Acrilex de pote pequeno foscas, perdi as estribeiras. A ideia era comprar apenas a cor preto e ciano, para substituir as Pebeos que acabaram, agora tenho mais de dez cores de Acrilex. Aguardem qualquer hora dessas elas aparecem aqui.

Há, se você não conhece o Raul Seixas, a música dele que deu título para essa postagem é essa aqui:


Abraços e até breve.

Comentários

  1. O resultado ficou muito bom, Mateus! Acompanhando o seu processo, deu para se ter uma boa ideia da experiência de se usar acrílica. Nesse caso, mostrou-se bem parecido com a tinta a óleo.

    E eu pensando que só seu usava cores chapadas para esse tipo de tinta.

    Parabéns pelo trabalho. Belo quadro e ótimo texto! E, ah... O Raul é lendário, homenagem merecida!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Seja bem vindo Andy!

      Agradeço por acompanhar e por comentar. Comecei a usar acrílica por esse motivo, é quase como se fosse tinta óleo, mas sem a necessidade de se usar solventes. E isso é muito bom! Já usei óleo, comecei com ela inclusive, mas abandonei por causa do cheiro forte de solvente que ficava, mesmo com o Ecosolve que é mais fraco.

      Estou querendo aumentar a quantidade de postagens aqui nos próximos dias, e diminuir do Instagram, então cola aí que tem novidade chegando.

      Abraços!!!

      Excluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

Oil Pastel

Saudações caros visitantes! Até cerca de uma semana atrás, dos materiais que eu possuo, acreditava que os pasteis oleosos eram os mais difíceis de se utilizar. Tentei aprender como funcionavam em três oportunidades diferentes e em nenhuma delas, obtive resultados satisfatórios. Mas isso mudou quando resolvi me desafiar. No início, fiz testes explorando as variações de cores disponíveis em desenhos bem simples. E a medida que comecei a entender melhor como utilizar o material, me arrisquei em pinturas mais complexas como a desse peixe logo acima. A seguir, o desenho à direita (a fruta de uma árvore de cacau), foi o primeiro desafio que me propus com os gizes. Usei basicamente as cores amareladas, avermelhadas e marrons, além do branco. O desenho à esquerda, foi o segundo realizado com os pasteis. Nele, testei basicamente os amarelos e o branco. A seguir, nos desenhos à esquerda, fiz testes com os gizes que possuem cores avermelhadas e esverdeadas. Já no desenho da direit

Boitatá | Gouache

Saudações visitantes! Vocês já assistiram alguma série que os deixou animados? Loucos para verem o próximo episódio? Então, assisti recentemente a série  Cidade Invisível , da Netflix. Ela foi inspirada no folclore brasileiro e apesar de não ter o roteiro perfeito, me deixou empolgadíssimo. Chegou ao ponto de postergar a conclusão da série a fim de saborear melhor a história e os personagens. Enfim, todo esse hype me fez criar a pintura que vêm a seguir. Ela foi inspirada pela lenda do Boitatá, uma criatura mítica do nosso folclore e que, apesar de não aparecer na série (ainda), é uma das minhas preferidas. Segundo a Wikipedia: Boitatá é um termo tupi-guarani , usado para designar, em todo o Brasil, o fenômeno do fogo-fátuo , e deste derivando algumas entidades míticas, das primeiras registradas no país. - FONTE . Para compor a pintura, usei fotos de referência da floresta amazônica e de algumas cobras. Queria representar um ambiente escuro para que o brilho do fogo se destacasse e e

Still life | Oil pastel

Saudações visitantes! Recentemente, houve um aumento considerável de acessos à postagem sobre pastel oleoso . Aí pensei: como o pessoal gostou do conteúdo, vou fazer mais um trabalho com pastel oleoso demonstrando minha evolução depois daqueles estudos, a fim de provar que o tempo pode maturar o conhecimento sobre algo. Há, estou reorganizando as postagens e "catalogando-as" por temas, como: Aquarela , Guache , etc. Basta conferirem no canto direito da tela em Marcadores . Foi a forma que encontrei para diminuir o caminho entre vocês e o que tenho à falar sobre esses assuntos. Bom, vamos à pintura. Pastel oleoso sobre papel Kraft 180 g - 297 x 210 mm