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Sobre desafios de arte

Saudações visitantes!

Outubro passou e fiquei bem longe daquele desafio de desenho famoso. Depois de duas tentativas, percebi que fazer um desenho por dia, exige muita criatividade e força de vontade e eu confesso, nem sempre estou criativo e trabalho com algo muito cansativo (para a mente). Não vou nem falar sobre a "confusão" que deu com o criador do desafio, quero falar sobre outra coisa.

Fim de semana passada, recebi um convite para participar do #dezafio9 da loja Dezaina. E o desafio foi montado sobre a ideia de se fazer uma releitura de uma obra de arte de um artista famoso.

Assim que vi o convite, pensei em não participar, a última vez que participei, criei muitas expectativas e a frustração de não ter ganho ou sequer ter sido citado, gerou uma "bad vibe" chata demais. Eu acabei transformando o desafio em competição e isso não gerou algo bom em mim. No fim, percebi que isso não era legal para mim e me afastei desse tipo de competição.

Algumas competições depois, resolvi participar desse desafio, mas não para "ganhar", participei para me desafiar. Tomei para mim a "competição" e criei outras regras para que ficasse mais interessante. Depois que adquiri praticamente todos os materiais que pude (e queria), e de aprender de forma razoável como trabalhar com eles, tem sido bem difícil não exigir de mim, um nível mais alto.

Há um tempo, eu queria usar certos materiais e achava que meu trabalho não ficava bom, por que eu não os tinha. Hoje, sei que apesar da qualidade do material influenciar no resultado final, depende mais da experiência que você tem que do material em si. Por isso, esse desafio foi "importante" para mim, eu remodelei ele para quebrar essa estigma que criei.

Vejam a seguir o resultado final da releitura:


As regras que me impus foram:

  • Usar apenas um material, nesse caso, escolhi o guache Talens, meu material base.
  • Trabalhar com a técnica de pincel seco/levemente úmido, técnica que usei apenas em testes, nunca em um trabalho completo.
  • Usar apenas pinceis chatos e de cerdas duras, os que uso com tintas pesadas, como acrílica e óleo.
Essa última regra, ainda me gerou mais uma variável, eu não conseguiria trabalhar com detalhes. O que no fim das contas foi bom, pois tornou o processo mais prático, o que me permitiu terminar a pintura no mesmo dia, em cerca de quatro ou cinco horas. Com guache, minha fraqueza são os detalhes e nesse caso, o resultado da pintura me agradou muito.


No fim, a releitura foi bem interessante, por que ainda me rendeu mais um estilo de trabalho para criar pinturas. E no que diz respeito à releitura, basicamente, redesenhei o rosto do cangaceiro para que tivesse traços mais abrasileirados e acrescentei mais detalhes na vestimenta. Na pintura original, os traços me passam a sensação de serem orientais e apesar de não haver problema nenhum nisso, foi o porto em que me ancorei para fazer a releitura.

Candido Portinari, autor da obra Cangaceiro de 1952 (que podem ver a seguir) e que serviu de referência para essa pintura, é um pintor incrível. Não consigo nem imaginar o que ele representa para a arte, não só brasileira, mas mundial. Por isso, apesar de tentar manter os mesmos elementos da pintura original e de tentar realizar um estudo de cor sobre ela, confesso que não cheguei nem perto de alcançar a grandiosidade do quadro original. É um trabalho de cor intenso. O sol no rosto do cangaceiro, foi algo que por mais que tentei, não consegui representar tão bem na minha pintura.


E ainda sim, fico feliz com o resultado obtido. Com todas as restrições que criei para me desafiar, entregar uma pintura com tanta personalidade, me deixou flutuando. Por que percebi que consegui contornar razoavelmente as restrições e que mesmo com pouco, pode-se fazer muito.

Espero que tenham gostado do resultado e que tenham entendido que em nenhum momento, tentei copiar a pintura do Portinari. O trabalho dele, não pode ser copiado, é incrível demais.

Confiram mais obras acessando o site: www.portinari.org.br/

Confiram também meu Instagram: @mateus_cena

Abraços e até breve!

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