Sea Turtle

Saudações visitantes!

Nessa postagem, vou falar sobre uma das minhas últimas aquisições, algumas bisnagas de tinta aquarela Van Gogh, da Talens. Porém, antes de falar sobre minha experiência com elas, vou mostrar a "estrela desse show", minha última pintura, uma tartaruga marinha.




Essa pintura foi feita em papel Canson Desenho 200g A4 e apesar deste não ser indicado para técnicas úmidas, se você souber lidar com ele, pode funcionar muito bem. Nesse caso, as primeiras camadas de tinta, as que recebem uma quantidade maior de água, foram feitas com o papel preso à mesa de desenho utilizando fita adesiva. Depois que essas camadas secaram, com pinceis menores, comecei a trabalhar nos detalhes da pintura.


Para um artista acostumado com guache, trabalhar com aquarela é um desafio e tanto. Por que perdemos todo o poder de corrigir erros que o guache tem. Por ser uma tinta opaca, o guache nos permite até pintar com cores claras sobre escuras. Na aquarela, é necessário trabalhar com as sobreposições de camadas de cores e com reservas de branco no papel. O que nos obriga a pensar no que fazer antes mesmo de começar a usar qualquer cor.


Mesmo assim, confesso que no fim do processo, precisei "roubar um pouco". O desafio dessa pintura, era trabalhar todo o processo usando apenas as quatro bisnagas de tinta que eu adquiri, mas acabei precisando apelar para o uso do guache branco. Caso contrário, perderia todos os detalhes de luz intensos da pintura. E que bom que eu fiz isso, as reservas de branco e áreas claras que eu deixei, não foram suficientes para entregar os efeitos de luz que a pintura pediram. Bom, ao menos gostei do resultado final, e isso não tem preço atualmente, então me perdoem por roubar no processo final.


SOBRE A TINTA

Quem me acompanha no Instagram, sabe que comprei quatro bisnagas de tinta aquarela Van Gogh da Talens para testar. Recentemente usei muita aquarela da Pentel e eu queria entender a diferença entre elas. Aliás, com os conhecimentos que tenho sobre aquarela, adquiridos recentemente, poderia fácil fazer uns cincos posts diferentes sobre esse tipo de tinta. Mas esses dias se foram, quase não consigo fazer um, quiçá fazer cinco.

Enfim, comprei as bisnagas que acredito representar as tintas processo básicas, ou seja, o Ciano, Magenta e o Amarelo. Deixei de lado o preto, por que a junção dessas cores em quantidades iguais entrega um tom de cinza escuro que pode substituir o mesmo. Mas, confesso que o preto esta fazendo falta e que a qualquer hora, vou adquirir essa bisnaga também.

As cores que adquiri foram o Cerulean Blue (535), o Madder Lake Deep (331) e o Permanent Lemon Yellow (254). A bisnaga Chinese White (108), adquiri um bom tempo atrás, para experimentar seu poder de opacidade com outras técnicas e tintas.


NA PRÁTICA

As primeiras pinturas que fiz com a tinta, que podem ser conferidas no Instagram, foram criadas da seguinte forma: no godê, coloquei um pouco das três tintas principais e na hora de pintar, fiz todas as misturas necessárias.

Na segunda pintura, introduzi o branco para testar a interação dele com as outras tintas e também a opacidade do mesmo.

A primeira coisa que percebi em relação à Pentel e à Sakura, foi que essas tintas se espalham muito bem sobre o papel. Ou seja, elas se expandem melhor que qualquer aquarela que eu testei até hoje. Inclusive, diferentemente da Pentel, ela não cria linhas no fim da expansão, ou divisões entre uma cor e outra. Na verdade, elas realmente se mesclam completamente quando utilizadas com boa quantidade de água.

Outro ponto positivo, é que essas tintas são muito estáveis e entregam áreas extensas e chapadas construídas com a mesma cor, com uma qualidade inacreditável. Quase sem variações de tonalidade.

No fim das contas, a partir do terceiro desenho, eu já havia construído uma paleta de cores básicas para mim, pois fazer as misturas na hora da pintura atrasava muito o processo. Ainda preciso fazer algumas misturas, mas consigo obter os tons que quero com mais agilidade por já ter algumas cores construídas.

O maior desafio da pintura da tartaruga, foi que elevei o uso de camadas de cor ao máximo do que eu tenho conhecimento para usar. Pois, depois de definir as camadas base de cor, primeiro construí as camadas de variação luz e degradé, para só depois construir as texturas com pinceladas mais secas e só então, quando necessário, usei o branco para construir luzes. A tartaruga foi escolhida justamente por isso, seria um desafio e tanto. Na verdade, achei que não ia dar conta, mas deu certo.


PONTOS NEGATIVOS?

Tem poucas coisas que me incomodaram nessas tintas e eu nem sei se isso é um problema da tinta ou se é por que eu criei as cores usando apenas as bisnagas que eu citei anteriormente. Quando secam, elas perdem um pouco da saturação. Falo isso por que por sou acostumado com o guache, que tem cores intensas e saturadas. De qualquer forma, para ser justo, vou comprar outra bisnaga, com a cor pura para confirmar se isso é culpa minha ou não.

Além disso, o branco, até confere alguma opacidade às tintas, mas é de cerca de 30% do poder que o guache tem. E  há aqueles que dirão que não é para usar branco na aquarela mesmo, só que eu sou um artista que tem o costume de trabalhar com técnicas mistas, então é bem pouco provável que eu vá adotar uma ineficiência de um material ou técnica como aceitável. Eu sempre procuro uma forma de suprir as deficiências dos materiais que tenho com outros materiais ou técnicas. E se eu acreditasse em "influências de signos", diria que a habilidade de me adaptar a condições adversas, conferida pelo elemento do ar que rege o meu signo, me ajuda muito nessas horas. Mas isso é tudo besteira viu?

O amarelo, dessas três cores, é o que tem o menor poder de cobertura, mas pelo que entendi, depois de observar alguns aquarelistas falando, isso é comum. Então não chega a ser um defeito monstruoso.


Enfim...

Essas aquarelas são incríveis, têm lá suas peculiaridades, mas completamente contornáveis ao meu ver. E de agora em diante, deixam de ser motivo de teste e passam a integrar meu time de materiais favoritos, ou seja, vão fazer dobradinhas com o guache, com a acrílica e com os lápis de cor. Espero que essas parcerias tragam bons frutos.

Essas tintas inauguram uma nova era para mim, pois, de agora em diante vou pode fazer pinturas por encomenda. Já que agora adquiri o último material que eu queria para fazer isso e enfim tenho aquarela, guache e acrílica com qualidade e resistências confiáveis para disponibilizar produtos às pessoas que gostam do meu jeito de pintar e desenhar. Só preciso criar os brindes primeiro, mas a loja já está online.

Espero que tenham gostado do post e que tenham suportado lê-lo até o fim. Não usei fotos dos produtos por que foquei nos estudos e na qualidade dos mesmos.

Abraços e até breve.

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