Pular para o conteúdo principal

Fogo e trevas

Saudações caros visitantes!

Hoje, vou mostrar para vocês a última pintura em trabalhei e falar um pouco sobre a consolidação da simbiose entre o guache e a tinta acrílica.

Faz um bom tempo que estou pensando em pintar criaturas fantásticas, sendo assim, a primeira tentativa foi consolidada com o crocodilo espiritual. Por isso, essa é a segunda pintura e a personagem é uma meio youkai (demônio se preferir). Ela nasceu do desejo de pintar uma mulher com o desejo de pintar uma espécie qualquer de demônio, oriental ou não.


Como de costume, fiz o desenho em uma folha A4 Canson Mixed Media 300, mas não utilizei a face ondulada do papel, mas sim o verso. Como devem saber, não gosto muito dessa face ondulada, por isso geralmente prefiro o verso que é ligeiramente liso.

Usei a foto de uma menina como referência e depois de concluir a pose, acrescentei os elementos que queria. A ideia principal se sustenta no fato dela ser meio youkai e de precisar se defender dos demais demônios de seu mundo. Em tese, ela seria uma espécie impura. Deste ponto de vista, tirei a sustentação para acrescentar os elementos que passam a sensação dela precisar lutar para se manter viva. A iluminação quente, procura passar a sensação de se estar no mundo dela, um mundo envolto em trevas e fogo.


Essa pintura consolida a simbiose entre o guache da Talens e a acrílica da Pebeo, atualmente, meus materiais preferidos. Posso dizer que a acrílica substituiu a aquarela e manteve sua função, acrescentando diversas funcionalidades novas. A acrílica é a base que aumenta a resistência do papel, impedindo que o mesmo derreta após diversas pinceladas úmidas, mas também é a responsável pela iluminação da cena, trabalhando sempre com camadas diluídas que se mesclam de forma homogênea ou densas e marcadas, construindo luzes expressivas e sombras profundas. O guache é o elemento central da pintura, por secar rápido, ocupar pouco espaço e requerer uma gama de materiais de apoio reduzida. Ele pode ser carregado para qualquer lugar, me permitindo trabalhar na pintura nos poucos minutos que me restam do meu horário de almoço por exemplo. Utilizado geralmente para definir os volumes, cores base, luzes, texturas, etc. Com ele, agilizo o processo de pintura, já que me permite trabalhar bem com camadas carregadas ou diluídas.

De qualquer forma, por conter diversos detalhes de textura, luz e volume, demorei um bom tempo para concluir essa pintura. Foram aproximadamente três semanas, trabalhando entre 30 minutos e duas horas por dia, "quase" todos os dias. O tempo escasso contribui, mas demorei mais do que geralmente demoro. Mesmo assim, percebi uma coisa legal, o tempo que eu gastei não importou,  por que a pintura é minha, feita por mim e para mim, o importante é que o resultado me agradou. Se mais alguém gostar, ótimo, se não gostar, paciência é um ótimo remédio.

PS.: Quando comecei a pintar, há alguns anos, achei que meus trabalhos tinham muita influência dos gênios do pós-impressionismo, especificamente o Van Gogh. Hoje, não consigo deixar de acreditar que quanto mais me aproximo das sombras do Caravaggio, mais em casa me sinto. Essa iluminação marcada por sombras pesadas vem me encantado cada vez mais.

Abraços e até breve.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Oil Pastel

Saudações caros visitantes! Até cerca de uma semana atrás, dos materiais que eu possuo, acreditava que os pasteis oleosos eram os mais difíceis de se utilizar. Tentei aprender como funcionavam em três oportunidades diferentes e em nenhuma delas, obtive resultados satisfatórios. Mas isso mudou quando resolvi me desafiar. No início, fiz testes explorando as variações de cores disponíveis em desenhos bem simples. E a medida que comecei a entender melhor como utilizar o material, me arrisquei em pinturas mais complexas como a desse peixe logo acima. A seguir, o desenho à direita (a fruta de uma árvore de cacau), foi o primeiro desafio que me propus com os gizes. Usei basicamente as cores amareladas, avermelhadas e marrons, além do branco. O desenho à esquerda, foi o segundo realizado com os pasteis. Nele, testei basicamente os amarelos e o branco. A seguir, nos desenhos à esquerda, fiz testes com os gizes que possuem cores avermelhadas e esverdeadas. Já no desenho da direit

Boitatá | Gouache

Saudações visitantes! Vocês já assistiram alguma série que os deixou animados? Loucos para verem o próximo episódio? Então, assisti recentemente a série  Cidade Invisível , da Netflix. Ela foi inspirada no folclore brasileiro e apesar de não ter o roteiro perfeito, me deixou empolgadíssimo. Chegou ao ponto de postergar a conclusão da série a fim de saborear melhor a história e os personagens. Enfim, todo esse hype me fez criar a pintura que vêm a seguir. Ela foi inspirada pela lenda do Boitatá, uma criatura mítica do nosso folclore e que, apesar de não aparecer na série (ainda), é uma das minhas preferidas. Segundo a Wikipedia: Boitatá é um termo tupi-guarani, usado para designar, em todo o Brasil, o fenômeno do fogo-fátuo, e deste derivando algumas entidades míticas, das primeiras registradas no país. Para compor a pintura, usei fotos de referência da floresta amazônica e de algumas cobras. Queria representar um ambiente escuro para que o brilho do fogo se destacasse e eu acho que c

Minhas três melhores borrachas

 Saudações visitantes! Vou voltar a fazer um tipo de postagem que eu usava muito no blog antigo, são as "postagens drops ". Elas geralmente são sucintas e em sua maioria, análises práticas. Nessa publicações, muitas vezes apenas exponho minha opinião ou experiência com algum material ou como o utilizo. Espero que gostem! Infelizmente, não vou ter fotos desses materiais para mostrar, por que eu não fiz essas fotos quando comprei esses itens. Sendo assim, vou usar fotos da internet mesmo e vou citar as fontes para evitar dor de cabeça. Lembro ainda que essa é a minha opinião, você pode experimentar esses materiais e chegar às suas próprias conclusões. Te convido à expor suas opiniões nos comentários também, o aprendizado deve ser uma constante. Vamos aos itens: 3° - Borracha Faber-Castell Preta FC Max Na época que comprei essa borracha, cismei que precisava recompor minha bolsa de materiais para desenho e esboço com materiais da cor preta. Por causa disso, comprei essa borracha