Oni

Saudações visitantes!

Faz um bom tempo que não publico nada no blog, estou devendo diversas postagens, inclusive uma falando sobre os lápis de cor da Prismacolor que ganhei. Ao contrário da postagem anterior, nesta vamos falar sobre uma coisa mais divertida.

Faz tempo que estou tentando fundir meus conhecimentos de pintura tradicional com os da digital. A ideia inicial era fazer com que a pintura digital pudesse ser percebida como se fosse feita tradicionalmente e assim, substituísse o uso dos materiais tradicionais. Inclusive, gastei um bom tempo procurando programas e desenvolvendo pinceis que possibilitassem isso. Porém, quando cheguei perto desse resultado, percebi que a pintura digital não possuía para mim, o mesmo peso emocional que possuí uma pintura feita com materiais tradicionais. Depois de reestruturar minha visão, decidi mudar tudo.

Atualmente, quero encaixar a pintura tradicional dentro das coisas que faço profissionalmente e quando necessário, busco expandir suas possibilidades criativas com a pintura digital. A pintura tradicional deixa de ser apenas uma terapia e se torna uma ferramenta de trabalho, um meio de expressão e a pintura digital, um complemento.

Quanto a pintura dessa postagem, fazia um bom tempo que queria desenhar uma máscara de um Oni, que é uma figura mítica japonesa que representa algo próximo de um demônio. Acesse esse link da Wikipedia para entender melhor.

No fim das contas, acabei desenhando metade de um rosto de um Oni, bem estilizado. Pintei com guache Talens, melhorei alguns detalhes com os Prismacolor, fotografei, e, utilizando o Photoshop e o PaintTool SAI, concluí o trabalho.Vejam a seguir a pintura original, quando comecei a edição no Photoshop. Já havia trabalhado no olho dele, no Tool SAI.


Na imagem a seguir, vejam o resultado final depois de duplicar, inverter o rosto e pintar por cima a fim de unir as duas partes. Inclusive, alterei o tipo de fumaça que estava na pintura, achei que assim ficou mais legal. O Photoshop, usei tanto para corrigir as cores, quanto para remover o fundo, além de ser usado para pintar a fumaça. No Tool SAI, pintei a união dos dois lados e criei alguns detalhes na pintura, tenho pinceis bem realistas nele.


Não sei dizer se esse trabalho ficou bom ou não, só posso dizer que foi bem divertido realizá-lo, espero que gostem.

Abraços e até breve,

Setsuke - Túmulo dos vagalumes

Saudações visitantes!

Se você não assistiu a animação japonesa do Studio Ghibli Túmulo dos vagalumes (Hotaru No Haka), não assista (ou assista se quiser sofrer).
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[ALERTA DE SPOILER]

O filme começa com um garoto sentado no chão de uma estação de metrô, estamos falando do Japão após a segunda guerra mundial. Muitas pessoas passam, acham aquela cena nojenta, acham que ali está mais um vagabundo.  Algum tempo passa, o garoto esta deitado e imóvel ao chão. Mas ele não é o único, existem muitos e muitos outro ao seu redor. O guarda da estação chega, observa se um ou outro esta vivo, comenta o quão comum aquilo têm sido e chega ao nosso narrador, um dos protagonistas do filme, seu nome é Seita.

O guarda revira seus bolsos e pega uma lata de balas. Ele arremessa a lata num gramado próximo e dela, emerge o espírito de Setsuke, a irmã de Seita. Setsuke então resolve correr até o corpo do irmão, mas o espírito dele aparece, toca em seu ombro e sorrindo, a impede de ir. A partir desse momento, os espíritos de Seita e Setsuke, nos contam uma parte de sua história de vida, ao menos nos mostram os eventos que antecedem a morte de Seita. Observe, toda vez que o filme fica com a tonalidade vermelha, é o mundo dos espíritos. Nesse momento, Seita e Setsuke estão nos guiando por sua história. Até as roupas deles mudam.

Tudo isso acontece nos primeiros cinco minutos de filme. E é aqui que começa nossa tortura psicológica. Já sabemos que não há final feliz e que vamos acompanhar o relato dos momentos que levaram esses personagens à morte.


O que motivou a pintura?

A pintura da Setsuke, foi feita a partir de uma cena do filme. Ela mostra o exato momento em que a personagem abandona sua infância, sua inocência. Essa cena acontece alguns dias antes dela falecer. É quando a personagem descobre, de uma forma cruel, que sua mãe esta morta. E no decorrer desse tempo, podemos observar o quanto a personalidade da garota muda. O quanto toda aquela atmosfera interfere nela.


Quanto ao peso emocional

Confesso que assisti esse filme em duas partes, no dia que comecei, não consegui passar da parte que o Seita é levado à delegacia de polícia por roubar comida de uma plantação próxima ao local onde viviam, um abrigo antiaéreo. A cena é carregada de significados, Seita é arrastado pelo fazendeiro após ser espancado. Ele tenta desesperadamente explicar que roubou para manter a irmã e a ele mesmo vivos, tenta explicar que ela esta doente. Entretanto, mesmo com essa explicação, o fazendeiro continua. Setsuke está ao fundo, gritando desesperada, afastada por medo do fazendeiro. O desespero dela, demonstra quão essencial é a existência do irmão para sua sobrevivência, ou mesmo, quão despreparada ela esta para enfrentar tudo o que esta acontecendo. Ela deve ter uns quatro anos de idade e seu único vínculo familiar esta sendo retirado dela.

Não deu para passar dessa parte no dia, quando retomei o filme, cerca de três dias depois, fui até o final e depois de me emocionar muito em algumas partes, resolvi que devia fazer um fanart. Foi quando resolvi abandonar o Inktober também.

Apesar de ter sofrido com os personagens do filme, não posso deixar de dizer que ele é incrível. É uma tortura emocional e psicológica, mas é um ótimo filme. Ele demonstra as consequências da guerra para quem não foi para a guerra.


E o saldo?

Teve uma coisa que me incomodou imensamente nesse filme, a frieza das pessoas frente o que estava acontecendo com aquelas crianças. Tanto os parentes de Seita e Setsuke, quanto todas as outras pessoas que vêm aquilo acontecendo e ignoram. E como vemos no filme, isso não acontece apenas com os personagens principais, são diversas pessoas na mesma situação. Fiquei com a sensação de que o povo japonês é frio, insensível e incapaz de sentir empatia. Pode ser apenas pelo filme, mas é essa a sensação que ficou.

Vi surgindo nesse filme também, o sentimento de importância que o trabalho tem para os japoneses, o país foi arrasado pela guerra e eles precisam trabalhar para reergue-lo. Esse sentimento sofre uma mutação e é a causa de diversos suicídios no Japão atual. Ele se torna uma cobrança por resultados e pelo sucesso profissional frente a sociedade capitalista e consumista em que vivemos.


Concluindo...

Enfim, você pode e deve assistir esse filme, mas reserve tempo para fazer isso. Se prepare, fortaleça-se emocional e espiritualmente antes. Por que se você possuir um pouco de empatia, vai sofrer tudo o que os personagens sofreram, mas de forma mais branda.

Nós brasileiros, estamos à beira de um abismo. Há muito tempo, lutamos pelo fim da ditadura militar no país. Entretanto, as pessoas se esqueceram das consequências que o autoritarismo tem e agora estão lutando para que eles voltem ao poder. Como ver um futuro bom nisso?

Espero que tenham gostado do resultado da pintura, peço desculpas pelo texto imenso, mas foi necessário processar e expor tudo o que senti assistindo esse filme.

Principais materiais utilizados:
  • Suporte: Papel Canson Desenho 200 A4;
  • Material: Guache Talens, Posca P5M preta.
Desde já, agradeço pela visita. Abraços e até breve.

Severus Snape

Saudações visitantes!

Depois do Coringa do Joaquin Phoenix, estava ansioso para testar se havia aprendido algo novo com a execução daquela pintura Nessa postagem, vocês poderão confirmar se sim ou não.

Faz um século que queria desenhar o Snape, personagem do universo de Harry Potter, representado pelo ator Alan Rickman, que, infelizmente, faleceu recentemente. Essa pintura nunca foi realizada, por que eu não tinha conhecimento suficiente para isso. Na época da morte do ator, queria muito ter feito uma fanart do personagem icônico para homenageia-lo, mas não foi possível. Como a oportunidade surgiu, resolvi não desperdiçar.

O Snape é muito importante para a história do personagem principal e apesar de passarmos por todos os livros, odiando-o cada vez mais, no último, percebemos quão importante ele foi. Quando li os livros e posteriormente, vi os filmes, pensei, esse cara é foda. É um porre, mas é foda. Então nada mais justo que essa singela homenagem.


Quando comecei a pintar o esboço, percebi que somente realizar a pintura não teria graça. Então mergulhei no personagem e resolvi representar, através das cores, todo o sofrimento que ele carrega dentro de si, todo rancor e dor. E tudo o que isso proporciona á historia. Quem leu o livro, sabe do que estou falando, quem não leu, vá ler.

Mantive o tom de pele dele, levemente rosado, mas quase tão branco quanto a neve, mas as sombras e a luz, são frias. Usei dois tons de azul para construir as sombras, um médio e um quase preto.

Tudo nessa pintura está frio e desbotado, quase sem vida. Mas deixei algumas tonalidades quentes na pintura, novamente, para representar toda a carga emocional de ele esconde atrás da máscara que representa para todos.

Espero que tenham gostado do resultado, essa pintura é um reflexo dos ensinamentos do Davi Calil. Vou criar uma área no meu portfólio reservada para esses estudos, estudos de pintura de rosto.

Quanto aos materiais, usei basicamente guache da Talens, mas nas áreas de preto intenso, usei marcador Posca preto PC 5M (estou quase comprando a PC 8k). O preto desse marcador é mais escuro que o da Talens, então sempre que preciso de uma área de preto intenso, uso a caneta Posca para obter esse resultado. Desta forma, consigo obter contraste entre tons muito escuros. Também usei lápis de cor da Prismacolor para reforçar alguns detalhes, mas isto, é assunto para outra postagem.

O papel do sketchbook tem apenas 100g e é levemente texturizado e por incrível que pareça, suporta  guache. Fica enrugado, mas não fura. Para garantir isso, trabalho com uma técnica mais seca e estou sempre observando se ele aguenta mais pinceladas ou se precisa secar antes.

Principais materiais utilizados:

  • Suporte: Canson ArtBook One A5.
  • Material: Guache Talens, Posca P5M


Desde já, agradeço pela visita. Abraços e até breve.

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